Desperdício alimentar: o que perdemos quando deitamos comida fora
Desperdiçar alimentos significa também desperdiçar água, energia, trabalho e outros recursos. Conheça a dimensão do problema e como pequenas mudanças podem fazer a diferença.

Desperdício alimentar: o que perdemos quando deitamos comida fora?

Todos os dias são desperdiçadas enormes quantidades de alimentos que poderiam ter sido consumidos. Mas quando um alimento acaba no lixo, não é apenas esse alimento que se perde.

Perdem-se também os recursos utilizados para o produzir e fazer chegar até ao consumidor: água, solo, energia, matérias-primas, embalagens, transporte, armazenamento, refrigeração e trabalho.

É precisamente para chamar a atenção para esta realidade que, todos os anos, 29 de setembro assinala o Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos, promovido no âmbito das Nações Unidas com envolvimento da FAO e do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP). 

Perda alimentar e desperdício alimentar são a mesma coisa?

Embora sejam frequentemente utilizados como sinónimos, os conceitos não são exatamente iguais.

A perda alimentar ocorre sobretudo nas etapas que antecedem a venda ao consumidor, podendo acontecer durante a produção, pós-colheita, armazenamento, processamento ou distribuição.

O desperdício alimentar está mais associado às fases de retalho, restauração e consumo doméstico.

A dimensão conjunta do problema é enorme. Dados da FAO indicam que cerca de 13% dos alimentos são perdidos entre a colheita e o retalho. A estes juntam-se os alimentos desperdiçados no retalho, restauração e nas nossas casas. 

1,05 mil milhões de toneladas desperdiçadas num único ano.

O Food Waste Index Report 2024, do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, estimou que, em 2022, foram geradas mundialmente cerca de 1,05 mil milhões de toneladas de desperdício alimentar no retalho, restauração e consumo doméstico.

Isto corresponde a aproximadamente 19% dos alimentos disponíveis para os consumidores nestas etapas. 

E há um dado que torna o problema ainda mais próximo de todos nós.

Segundo o mesmo relatório, cerca de 60% desse desperdício ocorreu nos agregados familiares, representando aproximadamente 631 milhões de toneladas. 

Portanto, combater o desperdício alimentar não é uma responsabilidade exclusiva da indústria, da distribuição ou da restauração.

Também começa em casa.

E em Portugal?

Os dados europeus ajudam a perceber a dimensão do problema.

Segundo a edição de 2024 dos indicadores da cadeia alimentar do Eurostat, Portugal registou em 2022 cerca de 185 kg de desperdício alimentar por habitante. 

Na União Europeia, são geradas anualmente perto de 59 milhões de toneladas de desperdício alimentar, com um valor de mercado estimado em cerca de 132 mil milhões de euros. 

Ao mesmo tempo, milhões de cidadãos europeus enfrentam dificuldades no acesso regular a refeições de qualidade. A Comissão Europeia refere esta contradição como uma das razões pelas quais reduzir o desperdício representa simultaneamente um benefício social, económico e ambiental. 

Desperdiçar alimentos também significa desperdiçar recursos.

Antes de chegar ao nosso prato, cada alimento percorreu um caminho.

Foi necessário utilizar recursos agrícolas, água e energia. Em muitos casos houve transformação, embalagem, refrigeração, armazenamento e transporte.

Quando esse alimento não é consumido, uma parte desses recursos foi utilizada sem cumprir o seu objetivo final: alimentar pessoas.

Segundo a FAO, as perdas e o desperdício alimentar estão associados a aproximadamente 8% a 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa, além de contribuírem para a pressão sobre os ecossistemas, os recursos naturais e a biodiversidade. 

Por isso, reduzir o desperdício alimentar é também uma forma de reduzir a nossa pegada ambiental.

O desperdício alimentar também é uma questão de pessoas.

Existe ainda uma dimensão social que não pode ser ignorada.

Em 2022, enquanto o mundo desperdiçava mais de mil milhões de refeições por dia apenas nos agregados familiares, cerca de 783 milhões de pessoas eram afetadas pela fome. 

Naturalmente, reduzir o desperdício numa casa portuguesa não significa que esse alimento seja automaticamente disponibilizado a quem passa fome noutra parte do mundo.

Mas os dois problemas estão ligados através da forma como utilizamos os recursos e organizamos os sistemas alimentares.

Reduzir perdas ao longo das cadeias de abastecimento permite disponibilizar uma maior proporção dos alimentos produzidos para consumo humano. Reduzir o desperdício ajuda igualmente famílias, empresas e organizações a utilizar melhor os seus recursos.

Desperdício alimentar e saúde: uma relação que exige equilíbrio.

Há um ponto importante: combater o desperdício nunca deve significar consumir alimentos que deixaram de ser seguros.

A segurança alimentar deve prevalecer.

A Organização Mundial da Saúde salienta que alimentos contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas podem provocar mais de 200 doenças diferentes. Dados atualizados pela OMS estimam que cerca de 866 milhões de pessoas adoecem anualmente devido ao consumo de alimentos contaminados. 

Por isso, aproveitar melhor os alimentos significa sobretudo planear, conservar e utilizar corretamente, e não prolongar o seu consumo para além das condições de segurança.

Este princípio é especialmente importante quando falamos de alimentos perecíveis.

E os ovos?

Também aqui há várias formas simples de evitar desperdícios.

Comprar quantidades adequadas às necessidades, respeitar as condições de conservação, utilizar primeiro os produtos com menor prazo disponível e planear as receitas são gestos simples que podem fazer a diferença.

No contexto profissional, a utilização de ovoprodutos pasteurizados, como ovo inteiro, gema ou clara, pode também permitir adequar quantidades às necessidades específicas de determinadas preparações e processos.

Em determinados contextos, o doseamento mais preciso e a possibilidade de utilizar apenas a componente necessária, por exemplo, clara ou gema, podem contribuir para uma utilização mais eficiente da matéria-prima.

Na Ovimafra®, comercializamos ovos e ovoprodutos destinados a diferentes necessidades, desde o consumo doméstico à restauração e indústria alimentar.

7 gestos simples para reduzir o desperdício alimentar.

Não é necessário transformar completamente os hábitos de um dia para o outro. Algumas decisões básicas podem fazer diferença:

  1. Planear as refeições antes de fazer compras.
  2. Comprar apenas as quantidades necessárias.
  3. Organizar o frigorífico e a despensa, colocando à frente os produtos que devem ser utilizados primeiro.
  4. Conservar os alimentos nas condições adequadas.
  5. Aproveitar sobras com segurança noutras preparações.
  6. Ajustar as doses ao número de pessoas.
  7. Distinguir corretamente as indicações de validade e respeitar sempre as condições de conservação e segurança.

Pequenas decisões repetidas diariamente podem representar uma redução significativa do desperdício ao longo do tempo.

Cuidar dos alimentos é cuidar dos recursos.

O objetivo definido pelas Nações Unidas no âmbito do ODS 12.3 é ambicioso: até 2030, reduzir para metade o desperdício alimentar global per capita ao nível do retalho e do consumidor e reduzir as perdas ao longo das cadeias de produção e abastecimento. 

Mas os números globais começam sempre em decisões individuais e empresariais.

Produzir melhor. Transportar melhor. Armazenar melhor. Comprar melhor. Aproveitar melhor.

No Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos, a mensagem pode resumir-se numa ideia muito simples:

Quando cuidamos dos alimentos, cuidamos também dos recursos, das pessoas e do planeta.

Fontes principais utilizadas: 

FAO – Food Loss and Waste — Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. Informação sobre perdas e desperdício alimentar e respetivo impacto nos sistemas alimentares.

Nações Unidas – International Day of Awareness of Food Loss and Waste — Página oficial das Nações Unidas dedicada ao dia assinalado a 29 de setembro.

UNEP – Food Waste Index — Programa das Nações Unidas para o Ambiente. Dados internacionais sobre desperdício alimentar e respetivos impactos ambientais.

Comissão Europeia – Food Waste — Informação oficial da União Europeia sobre prevenção e redução do desperdício alimentar.

Eurostat – Food waste and food waste prevention — Estatísticas europeias sobre desperdício alimentar.

WHO – Healthy diet — Organização Mundial da Saúde. Informação de referência sobre alimentação saudável, nutrição e saúde.

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